tenho 29 anos e cada vez mais dúvidas
as certezas foram tomando tom sépia
e hoje habitam a gaveta de baixo,
sobre os cadernos de campo
e as velhas contas não pagas.
hoje nada me emociona tanto
que o prazer dos cinco acordes entre amigos
tomar meu café no final da tarde
e quando cai o sol
me encantar com as janelas do bom fim
tenho 29 anos, pois, e não temo as certezas
quero ser apenas o poeta das ruas com jacarandás
quero cantar o velho, a criança e o cachorro
e desvendando cada antiga casa
achar um novo lar
palmilhando cada pedra coberta de neblina
e percorrer os passos dos que já se foram.
estou pensando em renovar os homens
usando bicicletas.