cruzo a cidade
e uma canção me atravessa
enquanto transitam os transeuntes
momento sublime que é
achar quietude
em meio às sirenes
na hora dos corvos
sob os olhares indiferentes
o meu também se perde na paisagem
e nem lembro o porquê dei-me conta
que meu peito latia
se foi as mãos do artesão
ou o decote da estudante
se foi o verso de tatit
se qualquer outro transeunte
só sei que lembrei da palavra vida
lembrei que tenho meus amores
e fui pleno por um instante
nada como o vazio que regressa para trazer de volta a poesia cheia de vida…
para o bem, mestre!